Dubai, Maio de 2025, por Cris Goulart

Nós do Blog do Altas Ideias HUB, Tivemos o privilégio de bater um papo exclusivo com Alex Podobaev, CMO da Lumasky Drone Show, uma das empresas mais inovadoras do mundo quando o assunto é arte com tecnologia.
De Dubai para o mundo (inclusive o Brasil!), Alex compartilhou conosco os bastidores, desafios técnicos, curiosidades e o futuro desse mercado que está ganhando cada vez mais espaço nos grandes eventos internacionais.
A entrevista é uma verdadeira imersão no universo dos shows com drones — uma nova forma de emocionar, contar histórias e encantar plateias de todas as idades.
Prepare-se para conhecer mais de perto quem está redefinindo o que significa olhar para o céu.
Como começou sua jornada com a tecnologia de drones e o que inspirou a construção de uma empresa tão grande e inovadora?
Nossa jornada com a tecnologia de drones começou com um sonho — não apenas de usar drones como ferramentas, mas de transformá-los em um novo meio artístico. Vimos um potencial além de sua função como máquinas voadoras; eles poderiam carregar emoção, ideias e significado. Essa visão nos inspirou a criar a Lumasky — uma equipe que une engenheiros, artistas e produtores para transformar o céu em uma tela viva. Não começamos com a ambição de ser os maiores — apenas seguimos nossa curiosidade genuína. Essa paixão nos levou naturalmente ao palco global.
Onde está sediada a empresa e como operam de forma diferente entre Índia e Dubai?
Nossa sede fica em Dubai, e os Emirados Árabes Unidos — juntamente com o Oriente Médio em geral — são nosso principal mercado. A Lumasky não opera na Índia devido às rígidas regulamentações sobre drones no país, que limitam a flexibilidade necessária para nossos shows.
Quantas pessoas estão geralmente envolvidas em um show com 500 ou mais drones, e o que acontece nos bastidores de uma produção como essa?
O número de pessoas envolvidas em um show depende muito da escala. Um show com 500 drones normalmente exige uma equipe enxuta de cerca de 5 a 6 pessoas. Para shows com 6.000 drones ou mais, a equipe pode ultrapassar 50 membros. Nos bastidores, o processo é altamente coordenado: os designers criam as animações com dias de antecedência, técnicos verificam todos os drones e equipamentos, fazem a montagem e conexões, e os pilotos supervisionam o lançamento dos drones. Enquanto isso, a equipe de produção registra tudo em vídeo, e o gerente de projeto orquestra toda a operação, atuando como elo entre a equipe e o cliente.

Como as coreografias dos drones são programadas e quanto tempo leva, em média, para criar um show do zero?
Nossos designers usam o software Houdini, juntamente com uma variedade de plugins personalizados adaptados especificamente ao nosso fluxo de trabalho, o que torna o processo muito mais ágil. Tipicamente, começamos alinhando com a visão do cliente — às vezes eles fornecem um storyboard e referências, outras vezes desenvolvemos o conceito criativo em colaboração com o diretor do evento. Os designers então animam cada cena com base nessas referências, criando transições e sequências personalizadas de decolagem e pouso. Dependendo da complexidade do projeto, a criação da coreografia pode levar de duas semanas a vários meses.
Quais foram alguns dos maiores desafios técnicos ou logísticos que vocês enfrentaram ao se apresentar em diferentes países com regulamentações variadas?
Nosso maior desafio é cumprir nossos cronogramas apertados. Nossos shows são agendados com meses de antecedência, e os drones precisam se deslocar entre locais a tempo. A logística pode ser imprevisível, com atrasos na alfândega ou outras interrupções. No entanto, conseguimos superá-los.

Em termos técnicos, a Lumasky prospera assumindo projetos aparentemente impossíveis, onde outras empresas dizem não. Terrenos irregulares, pouco espaço para montagem, grandes distâncias entre a decolagem e o local do show, ventos fortes e condições climáticas adversas fazem parte dos nossos desafios profissionais. Nossa equipe lida com esses obstáculos com expertise, garantindo que cada projeto contribua para o nosso crescimento e profissionalismo.
Vocês já receberam pedidos da América Latina ou do Brasil? Como vocês veem o potencial do mercado de shows com drones no Brasil?
Recebemos pedidos constantemente da América Latina e do Brasil. Inclusive, já realizamos alguns projetos no Brasil, especialmente em Belo Horizonte. O mercado brasileiro ainda está em fase inicial, com cerca de 70 a 90 shows por ano e uma média de 300 drones por show. Considerando o tamanho e a população do país, acredito que esses números podem dobrar nos próximos anos.
Existe algum limite criativo para o que os drones podem fazer no céu? Já recusaram algum projeto por ser tecnicamente impossível?
Sim, existem limites impostos por restrições físicas. Por exemplo, gostaríamos de aumentar a velocidade dos drones, mas isso exigiria motores e baterias diferentes, além de mudanças significativas no design. Isso é crucial para manobras rápidas e transições mais dinâmicas. Além disso, o tamanho do show também influencia: apresentações com dezenas de milhares de drones criam figuras enormes, exigindo grandes deslocamentos, o que reduz a vida útil das baterias e o tempo total de performance. Mesmo com boa resistência ao vento, nossos drones têm dificuldades em ventos muito fortes, como de furacões. Cada designer precisa considerar esses fatores. Como mencionei, somos uma empresa que aceita desafios, então não me lembro de nenhum projeto recusado por limitação técnica — sempre buscamos um meio-termo com o cliente.
Qual foi o show de drones mais inesquecível ou marcante da carreira da empresa até agora?
Tivemos muitos momentos inesquecíveis. Detemos 5 recordes mundiais do Guinness, diversos outros prêmios e reconhecimentos da indústria. Fizemos shows para presidentes e reis, e nos apresentamos nas principais praças de várias cidades ao redor do mundo. É difícil destacar um único projeto, pois todos contribuíram significativamente para o desenvolvimento da nossa empresa.
Os shows de luzes com drones podem substituir os fogos de artifício tradicionais em eventos como Réveillon ou Carnaval? Quais os benefícios para o meio ambiente e a segurança pública?
Comparar drones com fogos de artifício talvez só seja possível em termos de orçamento, já que são tecnologias diferentes, com propósitos e efeitos distintos. O que amamos nos fogos é o estrondo que sentimos no peito, uma emoção primal. Os drones não conseguem replicar isso. Porém, eles podem contar histórias inteiras e até emocionar — algo que os fogos não fazem. Assim, acreditamos que os drones podem complementar os fogos em festivais, combinando forças para criar experiências ainda mais memoráveis.
O que os produtores de eventos brasileiros devem saber se quiserem trazer um show de drones para o Brasil — como orçamentos mínimos, licenças ou infraestrutura?
Como a tecnologia ainda é relativamente nova (apesar da popularidade mundial, muita gente ainda nunca viu um show de drones), e o mercado brasileiro está apenas começando, os organizadores devem entender que não é algo barato. Acredito que os orçamentos devem começar em torno de US$ 30.000 para shows menores e ultrapassar US$ 100.000 para grandes produções. Como os drones estão sob regulamentação da aviação civil, os organizadores precisam trabalhar com serviços de controle aéreo, fechar o espaço aéreo e seguir os mesmos procedimentos exigidos de pilotos de avião e helicóptero. A interferência de rádio também é um risco considerável, exigindo espectro limpo nas zonas de voo — outro desafio. No geral, contratar uma equipe profissional cuida de todos esses aspectos e orienta o cliente em cada situação.
Qual mensagem você gostaria de deixar para os organizadores de eventos no Brasil que estão curiosos sobre essa tecnologia?
Shows com drones capturam a atenção e podem viralizar quando bem organizados. Considerando o rumo da tecnologia e do mercado, ter esse tipo de show no portfólio é muito melhor do que não ter. Empresas que oferecem esse serviço para seus clientes cobram mais caro, e ao se estabelecerem, atraem grandes clientes corporativos e governamentais. Para muitas empresas de eventos no mundo, os shows com drones foram um divisor de águas. Hoje, é uma ferramenta extremamente poderosa.

Como você vê o futuro dos shows com drones? Veremos hologramas, interações com o público ao vivo ou novos usos além de apresentações públicas?
No futuro, os shows com drones vão continuar crescendo. Com o avanço da tecnologia, das baterias e dos componentes, o número de drones em shows também aumentará. Acredito que veremos apresentações com 100.000 drones ou mais, o que será algo impressionante. Há previsões de que os drones se tornarão os outdoors do futuro, formando telas ou banners gigantes onde cada pixel é um drone. Ou ainda, que a tecnologia avance a ponto de pessoas poderem comprar centenas ou milhares de mini drones e montar shows no próprio quintal. Só o tempo dirá como tudo isso vai evoluir.
Eles podem ser contatados através do site https://lumasky.show

